POR VALQUÍRIA FERREIRA
O estudante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Ifma), que forjou o próprio sequestro na semana passada, se apresentou na tarde de ontem (19), na Delegacia Especial da Cidade Operária (Decop). David Phelipe da Luz Araújo, de 20 anos, compareceu à delegacia, acompanhado de seu pai e de seu advogado.
David Phelipe prestou depoimento ao delegado Dicival Gonçalves, atual titular da Decop, durante toda a tarde e depois foi liberado. Para o delegado, David Phelipe forjou o próprio sequestro para se apropriar do patrimônio de terceiros e, por isso, pode ser indiciado pelo crime de extorsão. “Phelipe armou todo o cenário de sequestro, tentando se apropriar do dinheiro de seu sogro. Com autorização da Justiça, solicitamos a interceptação telefônica e descobrimos a farsa. Agora, nos resta identificar a mulher que ficava do outro lado da linha, dizendo que amava a suposta vítima”, afirmou.
Foto: Alessandro Silva

Delegado Dicival Gonçalves coordenou as investigações do falso sequestro de David Phelipe (detalhe)
Phelipe não quis falar com a imprensa, mas relatou ao delegado que saiu de São Luís na tarde da última quarta-feira (14), com destino a Teresina – PI e que, de lá, foi de avião para Goiânia – GO; e, ainda que, durante o intervalo das viagens teria efetuado o saque de R$ 3 mil, além de ter feito compras de objetos pessoais como roupa e calçados. Ele contou que chegou a São Luís na manhã de domingo (18), de ônibus, quando entrou em contato com seu pai, pedindo que fosse lhe buscar no Bairro do São Cristóvão. “Phelipe não teve a intenção de se apropriar de patrimônio de terceiros de forma ilegal. Ele apenas viveu uma forte paixão “proibida” com uma mulher casada e se deslocou para Goiânia, arrependido voltou de forma espontânea para esta capital”, disse Luís Henrique Launê Fonseca, advogado do universitário.
Entenda o caso – O jovem desapareceu na tarde de quarta-feira (14), quando iria se encontrar com a mulher de seu cunhado, identificada como Rosânia, na agência da Caixa Econômica, do São Cristóvão, para fazer a transferência de R$ 11 mil para a conta do cunhado, de nome Marcos. O dinheiro pertence a seu sogro, identificado apenas como José, valor decorrente do seguro DPVAT.
A família de Phelipe entrou em contato com a polícia, informando o desaparecimento do estudante. O caso começou a ser investigado pelo Serviço de Inteligência da Polícia Civil e por investigadores da Decop, mas como os “supostos” sequestradores não entraram em contato com a família nas primeiras 24 horas, o delegado Dicival Gonçalves desconfiou da situação e solicitou, à Justiça, a quebra de sigilo telefônico da vítima e de seu pai. Assim que a conta do jovem foi bloqueada, mensagens de textos eram enviadas para o celular do pai do acadêmico, solicitando para que a conta fosse desbloqueada, a fim de que Phelipe não tivesse a orelha ou o dedo cortado. As mensagens partiam do celular da “vítima” e a polícia descobriu que era uma farsa. O delegado disse que as investigações continuam e, caso seja necessária, a prisão preventiva do universitário pode ser solicitada.
David Phelipe é estudante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Ifma), do Monte Castelo, e é estagiário da Alumar.
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